Guia revisado pela SBD-SP

A alopecia areata tem nome, tem explicação e tem cuidado.

Um guia para quem acabou de receber um diagnóstico, para quem está investigando e para quem convive de perto com alguém que vive com a doença. Sem promessa de cura. Sem alarme. Com informação de verdade.
O que é

A alopecia areata é uma doença autoimune: o sistema imunológico passa a atacar os folículos pilosos.

Esse ataque interrompe temporariamente o crescimento do cabelo, levando à queda em áreas específicas, em todo o couro cabeludo ou, em alguns casos, em todo o corpo. A doença é imprevisível: pode aparecer em qualquer idade, pode ficar parada por anos, pode voltar.

O cabelo, na maioria dos casos, não morre. O folículo continua vivo, em modo de espera. Por isso, em muitos pacientes, o cabelo volta a crescer espontaneamente, com ou sem tratamento.

Não é contagiosa. Não tem cura definitiva ainda. Mas tem cuidado, tratamento em evolução e uma comunidade que entende.

Mulher com alopécia areata
Paciente com Alopécia Areata
2%
da população convive com alopecia areata
60%
dos casos começam antes dos 20 anos
~50%
têm recuperação espontânea em 12 meses
Todos
os gêneros e etnias são afetados igualmente
Tipos de alopecia areata

Mesma doença, apresentações diferentes.

A classificação ajuda médico e paciente a conversarem sobre prognóstico e tratamento. Não existe um tipo “pior” que o outro como pessoa, só como apresentação clínica.
Tipo clássico

Areata em áreas

A apresentação mais comum: uma ou mais áreas circulares de queda no couro cabeludo, geralmente com bordas bem definidas. O cabelo ao redor da área fica normal.

Localização

Areata da barba

Quando a queda ocorre em áreas na região da barba. Pode aparecer isolada ou acompanhada de queda em outras áreas do corpo.

Padrão

Ofiásica

Queda em formato de faixa, geralmente na linha do cabelo da nuca e laterais do couro cabeludo. Costuma demandar tratamento mais prolongado.
Extensão

Totalis

Perda completa do cabelo do couro cabeludo, sem afetar outras áreas do corpo. A recuperação pode acontecer, mas costuma ser mais lenta.
Extensão máxima

Universalis

Perda de todo o cabelo do corpo, incluindo cílios, sobrancelhas e pelos do tronco. É a forma mais extensa, e a que mais demanda apoio integral.
Por idade

Em crianças

Quando o primeiro episódio acontece antes dos 12 anos. A condução é semelhante à dos adultos, com atenção especial ao impacto emocional e escolar.
Diagnóstico

Como o dermatologista chega ao diagnóstico.

Em quatro passos. Quanto mais cedo, melhor.
1

Conversa clínica

Histórico de saúde, doenças autoimunes na família, momento em que a queda começou e fatores associados.

2

Exame visual e dermatoscopia

Análise da área, das bordas e da pele ao redor com dermatoscópio. Cabelos em ponto de exclamação são um sinal típico.

3

Exames complementares

Tireoide, hemograma, ferritina, vitamina D e, em alguns casos, exames para outras condições autoimunes associadas.

4

Plano de cuidado

Discussão de opções de tratamento, expectativas realistas e acompanhamento. Encaminhamento para apoio psicológico, se útil.

Atenção

Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta com um dermatologista. A AAGAP não realiza diagnósticos nem indica tratamentos individuais. Se você está com queda de cabelo, procure um profissional habilitado. Encontre um especialista no Portal da SBD.

Tratamentos

Existem opções. Qual delas serve para você é uma conversa com seu médico.

Resumo do que está disponível no Brasil em 2026. Nada aqui substitui a indicação individual.

Aplicação direta na área, em creme, loção ou injeção. É a primeira linha em quadros pequenos e localizados. Boa resposta na maioria dos casos leves a moderados.

Primeira linhaQuadros levesAdultos e crianças

Usado como adjuvante para estimular o crescimento após a fase ativa da queda. Não trata a causa autoimune, mas pode acelerar a recuperação.

AdjuvantePós-queda

Os medicamentos mais recentes aprovados no Brasil. Indicados para quadros graves (perda de 50% ou mais). Exigem acompanhamento médico regular e exames prévios. Veja nosso artigo completo no blog.

Quadros gravesAdultos a partir de 18Ritlecitinibe a partir de 12 anos

Indução de uma reação alérgica controlada na placa para reorientar a resposta imune. Reservada a casos extensos resistentes, em centros especializados.

Centro especializadoCasos resistentes

Parte integrante do tratamento, não um extra. Estudos mostram que o impacto emocional é tão importante quanto o tratamento dermatológico. Procure profissional especializado em doenças crônicas.

Todos os pacientesCrianças e adolescentes especialmente

Convivência

A vida segue, com ou sem fios.

Quatro tópicos sobre o dia a dia, que vêm direto das rodas de conversa do grupo.
O lado emocional

O impacto da alopecia areata não está apenas no espelho. Está em como você se sente.

A doença mexe com identidade, com autoestima, com decisões cotidianas que ninguém imagina (qual peruca usar, se conta no trabalho, como explicar para a criança da escola). Por isso o grupo existe: não para te dar respostas prontas, mas para você descobrir que outras pessoas chegaram nelas, e você chega também.

Sol no couro cabeludo

Protetor solar (FPS 50+) ou chapéu sempre. Áreas sem cabelo precisam de proteção extra contra UV.

Conversar com a escola

Não existe roteiro pronto. O grupo tem um material para pais sobre como, quando e quanto contar.

Perucas, turbantes, careca

Não existe escolha certa. Existe a escolha do dia. Algumas pessoas variam, outras encontram uma só e ficam bem.

Estresse e gatilhos

Não causa, mas pode contribuir. Cuidar do sono, das emoções e do estresse é parte do tratamento.
Quando procurar ajuda

Vale uma consulta com dermatologista quando…

Não precisa esperar a queda piorar. Quanto mais cedo, mais ferramentas o médico tem para conversar com você.