A primeira reunião foi a primeira vez que tirei o boné em público em dois anos. Ninguém comentou, e isso, em si, já foi tudo.
No grupo, eu finalmente respirei. Não precisei explicar nada. Todo mundo já entendia.
Eu trabalhava com cabelo. Quando o meu caiu, achei que era o fim. O AAGAP me devolveu o começo.
Vim aqui pela minha filha. Acabei encontrando outras mães, outros pais, outras avós.
Aos 13 anos, eu não queria mais ir à escola. Hoje eu vou de peruca, de turbante ou careca, depende do dia. E ninguém da escola tira mais sarro, porque eu sou eu antes do cabelo.
A primeira reunião foi a primeira vez que tirei o boné em público em dois anos.
Meu marido veio comigo. Ele entendeu coisas que eu nunca consegui explicar em casa.
A primeira coisa que pensei foi: “será que ele vai ser feliz?”. Hoje sei que sim. E sei que isso depende mais de mim do que dos fios.
Como dermatologista, aprendi com o grupo o que nenhum livro me ensinou: a doença não é só clínica.
Demorei dois anos para vir. Quando vim, perguntei: “por que eu demorei tanto?”.