Alopecia areata infantil: sinais, causas e o que fazer

Seu filho tem falhas redondas no cabelo? Entenda a alopecia areata infantil, como é feito o diagnóstico, os tratamentos e como apoiar a criança.
Alopecia Areata Infantil
Neste artigo

Você está penteando o cabelo do seu filho e encontra uma área redonda, lisa, sem nenhum fio. Ou a professora comenta que apareceu uma “falha” atrás da orelha. O susto é natural. Na maioria das vezes, a primeira pergunta que vem à cabeça é: isso é grave?

Falhas arredondadas no couro cabeludo de crianças têm algumas causas possíveis, e uma das mais comuns é a alopecia areata infantil. Neste artigo, explicamos o que é a doença, como reconhecer os sinais, o que esperar da consulta com o dermatologista e como apoiar a criança desde os primeiros dias. A informação não substitui a avaliação médica, mas ajuda a chegar à consulta com menos medo e mais perguntas certas.

O que é alopecia areata infantil

A alopecia areata é uma doença autoimune. Isso quer dizer que o próprio sistema de defesa do corpo, por um erro de reconhecimento, passa a atacar o folículo, a pequena estrutura da pele de onde nasce o fio. O folículo não é destruído: ele fica “adormecido”. Por isso o cabelo pode voltar a crescer, espontaneamente ou com tratamento.

A doença não é contagiosa. A criança pode frequentar a escola, brincar, dividir boné com o irmão e abraçar os amigos normalmente. Também não é causada por falta de cuidado, alimentação ruim ou algo que os pais fizeram ou deixaram de fazer. Vale repetir isso em casa, porque a culpa é um sentimento muito comum entre mães e pais que recebem o diagnóstico.

A alopecia areata é mais frequente do que se imagina. Estima-se que cerca de 2% das pessoas terão a doença em algum momento da vida, sem diferença entre meninos e meninas. Segundo o II Consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia, até 60% dos casos começam antes dos 20 anos. Ou seja: muitas famílias passam por essa mesma descoberta.

Sinais de alopecia areata em crianças

O sinal mais típico é uma ou mais placas [áreas] redondas ou ovais, com a pele lisa, sem descamação e sem vermelhidão importante. A criança geralmente não sente dor. Às vezes há uma leve coceira ou formigamento antes da queda.

Outros sinais que merecem atenção:

  • Fios curtos e afinados na base na borda da falha, parecidos com um ponto de exclamação. O dermatologista reconhece esse sinal com facilidade.
  • Falhas em sobrancelhas, cílios ou, em adolescentes, na região da barba.
  • Pequenas depressões nas unhas, como furinhos de dedal. A alteração nas unhas é mais comum em crianças do que em adultos.
  • Várias áreas que crescem e se juntam, formando áreas maiores.

A evolução é imprevisível. Em muitas crianças, uma área isolada volta a ter cabelo em alguns meses. Em outras, surgem novas falhas enquanto as antigas se recuperam. Em uma parcela menor, a queda atinge todo o couro cabeludo (alopecia total) ou o corpo inteiro (alopecia universal).

Outras causas de falhas no cabelo na infância

Nem toda falha é alopecia areata. Por isso é importante não tentar diagnosticar em casa e não iniciar tratamentos por conta própria. As principais condições que o médico vai considerar são:

  • Tinea capitis (micose do couro cabeludo): Costuma ter descamação, fios quebrados e, às vezes, vermelhidão ou pus. É contagiosa e tratada com antifúngico.
  • Tricotilomania: O hábito de puxar ou enrolar os fios, muitas vezes ligado à ansiedade. As falhas têm formato irregular e fios de tamanhos diferentes.
  • Alopecia por tração: Causada por penteados muito presos, como tranças e rabos de cavalo apertados, geralmente nas bordas do couro cabeludo.
  • Eflúvio telógeno: Queda difusa, espalhada, que pode aparecer alguns meses depois de uma febre alta, cirurgia ou outro evento de estresse para o corpo.

Cada uma tem um caminho diferente. Um produto antifúngico não ajuda na alopecia areata, e um corticoide pode piorar uma micose. Daí a importância da consulta.

Qual médico procurar e o que esperar da consulta

O especialista indicado é o dermatologista. O pediatra pode ser o primeiro a ver a falha e fazer o encaminhamento, o que é um ótimo começo.

O diagnóstico da alopecia areata é, na maioria das vezes, clínico. O dermatologista examina o couro cabeludo, as sobrancelhas, os cílios e as unhas, e costuma usar a dermatoscopia, um aparelho de aumento encostado na pele que mostra detalhes dos fios e dos folículos. Exames de sangue podem ser pedidos para investigar a tireoide ou outras condições autoimunes, que aparecem com um pouco mais de frequência junto com a alopecia. A biópsia raramente é necessária em crianças.

Para aproveitar melhor a consulta, vale levar anotado:

  1. Quando a primeira falha apareceu e se surgiram outras depois.
  2. Fotos datadas das áreas afetadas, que ajudam a comparar a evolução.
  3. Histórico de alergias, dermatite atópica, asma, rinite ou doenças de tireoide na criança, assim como o histórico de casos semelhantes na família.
  4. Qualquer mudança recente na rotina da criança, na escola ou em casa.
  5. As suas perguntas. Não existe pergunta boba nessa hora.

Alopecia areata infantil tem tratamento?

Sim. A alopecia areata tem tratamento, embora ainda não tenha uma cura definitiva que impeça novas crises. A escolha depende da idade, da extensão da queda e de quanto a doença afeta a vida da criança.
Pelo II Consenso da SBD, publicado nos Anais Brasileiros de Dermatologia em 2025, a primeira opção para crianças costuma ser o corticoide aplicado sobre a pele, às vezes com oclusão durante a noite. Outras alternativas tópicas incluem a antralina, a difenciprona (uma forma de imunoterapia) e o minoxidil. As injeções de corticoide direto na área, muito usadas em adultos, são menos indicadas para crianças pequenas, por causa da dor e do medo de agulha.

Há também um ponto que muitas famílias não sabem: observar sem tratar é uma opção legítima em alguns casos, principalmente quando a área é pequena e não incomoda a criança. O médico vai explicar os prós e contras de cada caminho.

O que não fazer

Na aflição de resolver rápido, é comum ouvir conselhos de todo lado. Alguns cuidados:
• Não use receitas caseiras como alho, cebola ou pimenta no couro cabeludo. Elas podem irritar e queimar a pele da criança.
• Não raspe o cabelo achando que ele vai “nascer mais forte”. Isso não muda o curso da doença.
• Não compre suplementos ou tônicos sem orientação. Não há evidência de que vitaminas tratem a alopecia areata quando não existe deficiência.
• Não trate a falha como segredo ou vergonha. A forma como os adultos reagem ensina a criança a reagir também.

Como apoiar seu filho desde o primeiro dia

A reação da criança depende muito da idade. Os menores muitas vezes nem percebem as falhas, e o incômodo maior é dos adultos. Crianças em idade escolar começam a notar os olhares e as perguntas dos colegas. Na adolescência, a aparência ganha um peso enorme na identidade.

Algumas atitudes ajudam em qualquer idade. Explique o que está acontecendo com palavras simples: “o seu corpo se confundiu e está deixando o cabelo descansar”. Deixe a criança participar das escolhas, como usar ou não um boné, um lenço ou um corte diferente. Converse com a escola antes que surjam perguntas, para que a professora saiba como acolher. E observe sinais de tristeza, isolamento ou recusa em ir à escola, que podem pedir o apoio de um psicólogo.

Cuidar das próprias emoções também faz parte. Pais que encontram informação confiável e outras famílias na mesma situação costumam atravessar esse período com mais tranquilidade.

Você não precisa passar por isso sozinho

O AAGAP, Alopecia Areata Grupo de Apoio, reúne desde 2003 pacientes, familiares e profissionais de saúde, em parceria com a Sociedade Brasileira de Dermatologia. Muitas crianças chegaram aos encontros pela mão dos pais e hoje são adultas, algumas com filhos. Nos encontros, você tira dúvidas com especialistas e conversa com quem já viveu o que você está vivendo agora.

Conheça os encontros do AAGAP e saiba mais sobre a doença na nossa página sobre alopecia areata.

Perguntas frequentes

Alopecia areata infantil tem cura?
Ainda não existe cura definitiva, mas há tratamento. O cabelo pode voltar a crescer sozinho ou com tratamento, e novas crises podem acontecer ao longo da vida.

Alopecia areata em criança é contagiosa?
Não. É uma doença autoimune e não passa de uma pessoa para outra.

O estresse causa alopecia areata em crianças?
O estresse pode ser um dos gatilhos de uma crise, mas não é a causa da doença. A alopecia areata envolve predisposição genética e resposta do sistema imune.

Com que idade a alopecia areata pode aparecer?
Em qualquer idade, inclusive em bebês. Até 60% dos casos começam antes dos 20 anos.

Qual médico trata alopecia areata infantil?
O dermatologista, de preferência com experiência em doenças do cabelo. O pediatra pode fazer o encaminhamento.

Artigo revisado pela Dra. Enilde Borges Costa, dermatologista e fundadora da AAGAP. Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

Fonte de pesquisa

  • RAMOS, P. M.; MULINARI-BRENNER, F. et al. II Consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia para tratamento da alopecia areata. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 100, n. 2, p. 328-341, 2025. Acesse

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